Margaret Atwood
The moment when, after many years
of hard work and a long voyage
you stand in the centre of your room,
house, half-acre, square mile, island, country,
knowing at last how you got there,
and say, I own this,
is the same moment when the trees unloose
their soft arms from around you,
the birds take back their language,
the cliffs fissure and collapse,
the air moves back from you like a wave
and you can’t breathe.
No, they whisper. You own nothing.
You were a visitor, time after time
climbing the hill, planting the flag, proclaiming.
We never belonged to you.
You never found us.
It was always the other way round.
O Momento
O momento quando, após muitos anos
de trabalho duro e uma longa travessia
te encontras no centro do teu quarto,
casa, meio acre, milha quadrada, ilha, país
sabendo por fim como lá chegaste,
e dizes, eu possuo isto,
é o mesmo momento em que as árvores desatam
os seus macios braços em teu redor,
as aves retiram a sua língua,
as falésias fissuram e colapsam,
o ar vem devolvido de ti como uma onda
e tu não consegues respirar.
Não, murmuram eles. Tu não possuis nada.
Tu foste um visitante, uma e outra vez
subindo a colina, cravando a bandeira, proclamando.
Nós nunca te pertencemos.
Tu nunca nos encontraste.
Foi sempre o contrário.
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domingo, 12 de agosto de 2012
sábado, 11 de agosto de 2012
A Dream Within A Dream
Take this kiss upon the brow!
And, in parting from you now,
Thus much let me avow-
You are not wrong, who deem
That my days have been a dream;
Yet if hope has flown away
In a night, or in a day,
In a vision, or in none,
Is it therefore the less gone?
All that we see or seem
Is but a dream within a dream.
I stand amid the roar
Of a surf-tormented shore,
And I hold within my hand
Grains of the golden sand-
How few! yet how they creep
Through my fingers to the deep,
While I weep- while I weep!
O God! can I not grasp
Them with a tighter clasp?
O God! can I not save
One from the pitiless wave?
Is all that we see or seem
But a dream within a dream?
Edgar Allan Poe
Um sonho num sonho
Este beijo em tua fronte deponho!
Vou partir. E bem pode, quem parte,
francamente aqui vir confessar-te
que bastante razão tinhas, quando
comparaste meus dias a um sonho.
Se a esperança se vai, esvoaçando,
que me importa se é noite ou se é dia...
ente real ou visão fugidia?
De maneira qualquer fugiria.
O que vejo, o que sou e suponho
não é mais do que um sonho num sonho.
Fico em meio ao clamor, que se alteia
de uma praia, que a vaga tortura.
Minha mão grãos de areia segura
com bem força, que é de ouro essa areia.
São tão poucos! Mas, fogem-me, pelos
dedos, para a profunda água escura.
Os meus olhos se inundam de pranto.
Oh! meu Deus! E não posso retê-los,
se os aperto na mão, tanto e tanto?
Ah! meu Deus! E não posso salvar
um ao menos da fúria do mar?
O que vejo, o que sou e suponho
será apenas um sonho num sonho?
And, in parting from you now,
Thus much let me avow-
You are not wrong, who deem
That my days have been a dream;
Yet if hope has flown away
In a night, or in a day,
In a vision, or in none,
Is it therefore the less gone?
All that we see or seem
Is but a dream within a dream.
I stand amid the roar
Of a surf-tormented shore,
And I hold within my hand
Grains of the golden sand-
How few! yet how they creep
Through my fingers to the deep,
While I weep- while I weep!
O God! can I not grasp
Them with a tighter clasp?
O God! can I not save
One from the pitiless wave?
Is all that we see or seem
But a dream within a dream?
Edgar Allan Poe
Um sonho num sonho
Este beijo em tua fronte deponho!
Vou partir. E bem pode, quem parte,
francamente aqui vir confessar-te
que bastante razão tinhas, quando
comparaste meus dias a um sonho.
Se a esperança se vai, esvoaçando,
que me importa se é noite ou se é dia...
ente real ou visão fugidia?
De maneira qualquer fugiria.
O que vejo, o que sou e suponho
não é mais do que um sonho num sonho.
Fico em meio ao clamor, que se alteia
de uma praia, que a vaga tortura.
Minha mão grãos de areia segura
com bem força, que é de ouro essa areia.
São tão poucos! Mas, fogem-me, pelos
dedos, para a profunda água escura.
Os meus olhos se inundam de pranto.
Oh! meu Deus! E não posso retê-los,
se os aperto na mão, tanto e tanto?
Ah! meu Deus! E não posso salvar
um ao menos da fúria do mar?
O que vejo, o que sou e suponho
será apenas um sonho num sonho?
quinta-feira, 9 de agosto de 2012
UM LEMA
YURI HÍCARO
Vamos,
qual a sua posição?
Reflita,
conjugue o verbo,
aperte o botão...
A minha?
Legaliza a opção
na democracia,
sem intervenção da polícia,
e toda liberdade de expressão!
A minha,
quebra barreiras
e tabus...
Todo dia,
tolerando hipocresia
dentro de casa e na padaria;
o álcool sobra, o álcool mata!
A minha?
É contra
toda forma de tirania
e a programada alienação pela
mídia, da nossa burguesia...
E você?
Pense, reflita...
Não temos educação,
o trabalho custa caro;
e de quebra,
por causa de um mero baseado,
polícia prende estudante universitário...
A minha,
é a vanguarda
sob o tradicional,
o novo,
beijando a face
da impermanência universal!
Vamos,
qual a sua posição?
Reflita,
conjugue o verbo,
aperte o botão...
A minha?
Legaliza a opção
na democracia,
sem intervenção da polícia,
e toda liberdade de expressão!
A minha,
quebra barreiras
e tabus...
Todo dia,
tolerando hipocresia
dentro de casa e na padaria;
o álcool sobra, o álcool mata!
A minha?
É contra
toda forma de tirania
e a programada alienação pela
mídia, da nossa burguesia...
E você?
Pense, reflita...
Não temos educação,
o trabalho custa caro;
e de quebra,
por causa de um mero baseado,
polícia prende estudante universitário...
A minha,
é a vanguarda
sob o tradicional,
o novo,
beijando a face
da impermanência universal!
quarta-feira, 8 de agosto de 2012
Indústria do medo
Erick Silva
Eu sou o indivíduo, aquele que chora
de que se explora
Eu sou o indivíduo, padrão...
todo o povão
Eu sou o indivíduo da moral
que te julga marginal
Eu sou o indivíduo que acompanha
com ar fúnebre que me ganha
A política tradicional
alienando a massa em campanha
Eu sou o indivíduo, aquele que chora
de que se explora
Eu sou o indivíduo, padrão...
todo o povão
Eu sou o indivíduo da moral
que te julga marginal
Eu sou o indivíduo que acompanha
com ar fúnebre que me ganha
A política tradicional
alienando a massa em campanha
sábado, 4 de agosto de 2012
Laço de Fita
Castro Alves
Não sabes crianças? 'Stou louco de amores...
Prendi meus afetos, formosa Pepita.
Mas onde? No templo, no espaço, nas névoas?!
Não rias, prendi-me
Num laço de fita.
Na selva sombria de tuas madeixas,
Nos negros cabelos da moça bonita,
Fingindo a serpente qu'enlaça a folhagem,
Formoso enroscava-se
O laço de fita.
Meu ser, que voava nas luzes da festa,
Qual pássaro bravo, que os ares agita,
Eu vi de repente cativo, submisso
Rolar prisioneiro
Num laço de fita.
E agora enleada na tênue cadeia
Debalde minh'alma se embate, se irrita...
O braço, que rompe cadeias de ferro,
Não quebra teus elos,
Ó laço de fita!
Meu Deus! As falenas têm asas de opala,
Os astros se libram na plaga infinita.
Os anjos repousam nas penas brilhantes...
Mas tu... tens por asas
Um laço de fita.
Há pouco voavas na célere valsa,
Na valsa que anseia, que estua e palpita.
Por que é que tremeste? Não eram meus lábios...
Beijava-te apenas...
Teu laço de fita.
Mas ai! findo o baile, despindo os adornos
N'alcova onde a vela ciosa... crepita,
Talvez da cadeia libertes as tranças
Mas eu... fico preso
No laço de fita.
Pois bem! Quando um dia na sombra do vale
Abrirem-me a cova... formosa Pepita!
Ao menos arranca meus louros da fronte,
E dá-me por c'roa...
Teu laço de fita.
Não sabes crianças? 'Stou louco de amores...
Prendi meus afetos, formosa Pepita.
Mas onde? No templo, no espaço, nas névoas?!
Não rias, prendi-me
Num laço de fita.
Na selva sombria de tuas madeixas,
Nos negros cabelos da moça bonita,
Fingindo a serpente qu'enlaça a folhagem,
Formoso enroscava-se
O laço de fita.
Meu ser, que voava nas luzes da festa,
Qual pássaro bravo, que os ares agita,
Eu vi de repente cativo, submisso
Rolar prisioneiro
Num laço de fita.
E agora enleada na tênue cadeia
Debalde minh'alma se embate, se irrita...
O braço, que rompe cadeias de ferro,
Não quebra teus elos,
Ó laço de fita!
Meu Deus! As falenas têm asas de opala,
Os astros se libram na plaga infinita.
Os anjos repousam nas penas brilhantes...
Mas tu... tens por asas
Um laço de fita.
Há pouco voavas na célere valsa,
Na valsa que anseia, que estua e palpita.
Por que é que tremeste? Não eram meus lábios...
Beijava-te apenas...
Teu laço de fita.
Mas ai! findo o baile, despindo os adornos
N'alcova onde a vela ciosa... crepita,
Talvez da cadeia libertes as tranças
Mas eu... fico preso
No laço de fita.
Pois bem! Quando um dia na sombra do vale
Abrirem-me a cova... formosa Pepita!
Ao menos arranca meus louros da fronte,
E dá-me por c'roa...
Teu laço de fita.
Aprendendo o ABC
Assim teria sido se tivesse acontecido?
O sangue escorrendo num corte do vidro?
A enganosa mancha da mudança
Falsa esperança
Que o corte sarará e a paz reinará
No vidro estilhaçado
Teu sangue impresso,
Marcado.
A dor lancinante que não prova seu valor
De muitos cortes que o rubro sangue não mostra sua cor
Entrecortada na paisagem a cada esquina
É pena ver tantos! Presos com a mesma sina.
E o diabo louco que vos pôs a cortar
Continua solto rindo em seu altar
E assim o vidro que no começo manchou o chão de sangue
Continua a cortar.
terça-feira, 31 de julho de 2012
O plano do malandro
A tática é
Fica na tua jacaré
Quando a vitima chegar
Abra bem a boca para abocanhar
A tática é
Fica na tua mané
Malandro velho tem boca mole
Mas nem todo bagulho engole
A tática é
Ficar esperto e na hora riscar o pé
Não fica de onda a toa
Se não zé, a patroa voa
A tática é
ficar ligado e fugir de mulé
Na hora certa dar a ferroada
E fingir que não foi nada
Erick Silva
Fica na tua jacaré
Quando a vitima chegar
Abra bem a boca para abocanhar
A tática é
Fica na tua mané
Malandro velho tem boca mole
Mas nem todo bagulho engole
A tática é
Ficar esperto e na hora riscar o pé
Não fica de onda a toa
Se não zé, a patroa voa
A tática é
ficar ligado e fugir de mulé
Na hora certa dar a ferroada
E fingir que não foi nada
Erick Silva
A carnificina das Bestas
Escuridão untada em silencio profundo,
entre os corpos tugidos descansa o imaterial...
E na lacuna vertical do veio sangrento
Untado está o rugido no peito do leão sarnento.
Já na carne o cerne de tua repugnância
Comprimido entre os gumes da justiça
Leitoso escorre o caldo da arrogância
E na balança bem pago o pudor
Se já não basta que tua boca leprosa me beije os pés
Terei prazer latente enquanto me olhar de viés
E meu lodoso pântano já não terá mais vermes
Porque tua casa está vazia?
A sombra que outrora o silencio comia fura o peito do leão
A dama que segura a balança já não balança
E sua meretrícia dança já não enlouquece pelo que vem da mão
Erick Silva
entre os corpos tugidos descansa o imaterial...
E na lacuna vertical do veio sangrento
Untado está o rugido no peito do leão sarnento.
Já na carne o cerne de tua repugnância
Comprimido entre os gumes da justiça
Leitoso escorre o caldo da arrogância
E na balança bem pago o pudor
Se já não basta que tua boca leprosa me beije os pés
Terei prazer latente enquanto me olhar de viés
E meu lodoso pântano já não terá mais vermes
Porque tua casa está vazia?
A sombra que outrora o silencio comia fura o peito do leão
A dama que segura a balança já não balança
E sua meretrícia dança já não enlouquece pelo que vem da mão
Erick Silva
Como um romance de Shakespeare
De que modo vil e fatal
se apossa de mim tal desejo carnal
E por um coração atado e retardado
que jaz cativo como um pássaro engaiolado
Aflito e desesperado se fez nascer um magnífico sentimento
que afoga-me como um pântano profundo e lamacento
Por desejar e ver sem tocar
teu sorriso e olhar
deveria por isso esfaquear como Julieta o coração
por querer e não poder por um minuto te amar?
Erick Silva
se apossa de mim tal desejo carnal
E por um coração atado e retardado
que jaz cativo como um pássaro engaiolado
Aflito e desesperado se fez nascer um magnífico sentimento
que afoga-me como um pântano profundo e lamacento
Por desejar e ver sem tocar
teu sorriso e olhar
deveria por isso esfaquear como Julieta o coração
por querer e não poder por um minuto te amar?
Erick Silva
domingo, 29 de julho de 2012
Carnaval das Rodas
Que pena ver tantas rodas rodando.
Rodas essas engrenagens, vivas.
Em seu interior tudo é nada, libras.¹
Deviam parar, frear gritando.
O asfalto agora sua borracha está dilacerando.
O calor do atrito faz camadas de arames pungidas.
Mesmo às tiras, nas vias caídas,
Todas em fila continuam rodando.
Oh rodas sois ou não vivas?
Rodas, melhor que fossem capas!
Só assim muito bem seriam preenchidas.
Segue o carnaval das rodas pelas chapas.
Com bandeirolas e crachás, rodas compelidas.
Saiam dos eixos, tornem-se capas!
Erick Silva
1. unidade de medida de ar:Psi (pound force per square inch) ou libra força por polegada quadrada.
Rodas essas engrenagens, vivas.
Em seu interior tudo é nada, libras.¹
Deviam parar, frear gritando.
O asfalto agora sua borracha está dilacerando.
O calor do atrito faz camadas de arames pungidas.
Mesmo às tiras, nas vias caídas,
Todas em fila continuam rodando.
Oh rodas sois ou não vivas?
Rodas, melhor que fossem capas!
Só assim muito bem seriam preenchidas.
Segue o carnaval das rodas pelas chapas.
Com bandeirolas e crachás, rodas compelidas.
Saiam dos eixos, tornem-se capas!
Erick Silva
1. unidade de medida de ar:Psi (pound force per square inch) ou libra força por polegada quadrada.